Escola para todos

O que é a Inclusão?

A Escola inclusiva é um tipo de comunidade educativa cujas práticas respondem à diversidade dos seus alunos, atendendo às necessidades emocionais, académicas e sociais que manifestam na escola.

Qualquer escola que deseje seguir uma política de Educação Inclusiva terá de desenvolver, práticas e culturas que respeitem a diferença e a contribuição activa de cada aluno para a construção de um conhecimento partilhado. Procura por esse meio alcançar, sem discriminação, a qualidade académica e contexto sociocultural de todos os alunos.

Apesar do conceito de inclusão se ter expandido como um princípio organizador fundamental do sistema educacional de muitos países, na maioria dos países da Europa continua a existir uma contradição entre legislação e prática nas escolas ou salas de aula. Tanto a legislação como o discurso dos professores se tornaram rapidamente “inclusivos”, mas as práticas nas escolas nem sempre são consistentes com esses discursos (Rodrigues, 2006).

A educação inclusiva só existe se forem introduzidas nas salas de aula estratégias e práticas diferentes daquelas que tradicionalmente se praticam. Estas dependem largamente da atitude, conhecimento, competência e capacidades dos professores para inovarem e criarem contextos para um ensino que vá de encontro às necessidades e potenciais dos seus alunos.

Criar uma sala de aula inclusiva é um desafio. Os professores devem criar ambientes de aprendizagem que valorizem a criatividade, o potencial individual, as interacções sociais, o trabalho cooperativo, a experimentação e a inovação.

Além do mais, é essencial o suporte que os professores podem receber, a vários níveis, dentro e fora da escola.

É importante notar que a atitude dos professores é um elemento fundamental no sucesso da inclusão na sala de aula. Atitudes positivas dos professores perante a inclusão reflectem-se nos seus comportamentos na sala de aula inclusiva.

A qualidade da inclusão não é meramente determinada pela posição do aluno, antes é baseada na criação de um ambiente que apoia e inclui todos os alunos, uma comunidade inclusiva que apoia comportamentos positivos de todos os alunos. Para atingir este fim, as práticas devem promover a harmonia, facilitar a amizade e colaboração.

Baseando-se na definição de práticas inclusivas pode-se dizer que as boas práticas são aquelas que:

- Incluem todos os alunos;

- Promovem uma cultura de escola inclusiva;

- Realizam um trabalho colaborativo/cooperativo e eficiente entre todos os agentes educativos;

- Usam recursos diversificados e estratégias educacionais diferenciadas;

- Têm um modelo organizacional flexível;

- Têm uma programação sistemática e específica;

- Beneficiam de apoio individualizado dentro da sala de aula;

-Realizam avaliação sistemática do progresso dos alunos em várias áreas (cognitiva, emocional, social, relacional, etc.) e propõem medidas para superar as dificuldades;

- Promovem actividades extra-curriculares;

- Valorizam a colaboração com toda a comunidade.

É essencial que a avaliação das práticas de ensino e das estratégias educativas resulte de um envolvimento activo de todos os actores responsáveis pelo processo educativo (professores, outros especialistas educativos, alunos e as suas famílias).

É também crucial que as escolas adaptem estes critérios de acordo com o contexto educativo específico. O acesso, conhecimento e contacto com experiências diferentes e boas práticas ajuda os professores a aplicar a inclusão no seu próprio contexto, sem esquecer o meio cultural onde o aluno está inserido.

Identifica-se então os seguintes factores como determinantes para práticas inclusivas:

- Ensino e aprendizagem cooperativa;

- Grupos heterogéneos;

- Ensino de valores;

- Gestão da sala de aula;

- Adequação dos recursos materiais da escola às necessidades de cada aluno.

        O Ensino Cooperativo é um factor de sucesso essencial não só porque os professores precisam de suporte como de competências para serem capazes de cooperar com um conjunto de colegas e profissionais dentro e fora da escola.

A cooperação é tipicamente entendido como um ensino em que dois ou mais profissionais educativos trabalham em conjunto para servir um grupo heterogéneo de alunos e partilham a responsabilidade por objectivos específicos.

 As equipas mais comuns de educadores encontradas a trabalhar em relações de cooperação, são compostas por: professores de educação especial, regular, terapeuta da fala/linguagem, psicóloga; assistente social ou outros profissionais de apoio e a família.

A questão da cultura de partilha e cooperação, portanto do ensino cooperativo entendido como cultura e não como método ou técnica, assume assim uma importância fundamental já que, a aprendizagem e o ensino cooperativo são excelentes estratégias de inclusão, de trabalhar com grupos heterogéneos e apoiar as aprendizagens dos alunos.

De facto, a cooperação entre professores, a presença de dois professores na sala de aula, pode ser facilitadora da implementação de quadros sociais de aprendizagem cooperativa.

Como facilmente se compreenderá a planificação e implementação de actividades com base em estruturas de cooperação em parceria entre professores, permite possibilidades que o trabalho individual e isolado não permite: diversificação, flexibilização, dinamização das actividades que mantenham todos os alunos em situação de aprendizagem activa, atenção mais individualizada aos alunos e aos grupos, diferenciação das tarefas e papéis, promoção da inclusão académica e social dos alunos.

O conceito de inclusão é um conceito pouco preciso, indefinido e ambíguo, mas decisivo e fundamental como potenciador de mudanças. Incluir é abrir portas, criar oportunidades e esperanças, proporcionar a todos as melhores práticas, as melhores condições sócio-educativas de aprendizagem. Práticas e condições de aprendizagem onde todos os alunos, famílias, professores, comunidade, são efectivamente fundamentais à organização do próprio processo educativo.

Incluir é olhar para todos, alunos, professores e famílias, no integral respeito pelas suas diferenças (sexo, raça, língua, deficiência…), como membros de pleno direito da comunidade educativa, como membros imprescindíveis e necessários ao funcionamento do grupo escolar. Excluir é sempre, e de alguma forma, amputar.

Incluir é aprender a lidar com a diversidade, aprender a mudar, a construir e reconstruir novas formas de estar com os outros, novas formas de organização das relações, no respeito pelos valores da liberdade e da democracia.

Incluir é aprender, dar, partilhar, novos sentidos às coisas, às relações e gerar valores.

A escola inclusiva é uma escola democrática, cooperativa, activa e libertadora, que deverá promover constantes valores educativos.

Lara Gonçalves, 2010

Da Exclusão à Inclusão

2 Respostas to "O que é a Inclusão?"

Gostei muito deste blog.
Bom trabalho de professores.

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